Sociólogo analisa precarização das relações de trabalho e alerta para o “despotismo algorítmico”

Professor titular da Unicamp, Ricardo Antunes ministrou a conferência de encerramento do 3º Módulo da Ejud-12

21/08/2026 15h16, atualizada em 21/08/2026 17h38

O 3º Módulo de Formação Continuada 2026 da Escola Judicial do TRT-SC (Ejud-12), realizado de quarta a sexta-feira (21/8), encerrou com a conferência “A precarização das relações de trabalho”, ministrada pelo professor titular da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) Ricardo Luiz Coltro Antunes.

A conferência partiu de uma análise das transformações das últimas décadas para explicar o atual mundo do trabalho. Nesse sentido, Antunes relacionou a expansão da informalidade, da terceirização e da flexibilização à formação de um mercado com grande disponibilidade de trabalhadores, criando condições, segundo ele, para o avanço de formas precárias de contratação e prestação de serviços.
 

Despotismo algorítmico


Autor de diversos livros sobre o mundo do trabalho, o sociólogo é doutor pela Universidade de São Paulo (USP), além de ter recebido, em 2025, o título de Doutor Honoris Causa pela Universidad Nacional de Rosario, na Argentina. Um dos conceitos centrais apresentados por ele na conferência foi o de “despotismo algorítmico”, expressão usada para descrever uma forma de controle excessiva realizada por sistemas digitais.

Na avaliação do professor, o problema não está simplesmente na existência da tecnologia, mas nas finalidades para as quais esses sistemas são concebidos e programados. Com isso, decisões que antes dependiam diretamente de relações humanas passam a ser mediadas por mecanismos que, além de intensificar a supervisão, podem condicionar comportamentos e reduzir a autonomia dos trabalhadores.

Imagem
Homem de óculos fala ao microfone
Juiz Alessandro da Silva

Para ilustrar o conceito, Antunes citou a situação de trabalhadores que permanecem conectados às plataformas à espera de serem acionados. Segundo ele, essa disponibilidade constante mostra que essas pessoas não têm um período efetivo de descanso, pois embora não estejam realizando uma atividade nem sendo remuneradas por esse tempo, precisam permanecer atentas para não perder oportunidades.

Ao final, o professor propôs uma reflexão sobre o futuro dessa forma de organização. “É isso que queremos para a humanidade?”, questionou, colocando em debate os direitos, as condições e o sentido do trabalho em uma sociedade cada vez mais mediada por sistemas digitais.

Ricardo Antunes participou remotamente da conferência, acompanhada presencialmente no auditório do TRT-SC, em Florianópolis, e também por participantes a distância. A atividade foi mediada pelo juiz titular da VT de São Miguel do Oeste, Alessandro da Silva.
 

Riscos psicossociais
 

Imagem
Uma mulher e dois homens compoem a mesa de abertura de evento


A programação desta sexta-feira começou com o painel “Riscos psicossociais na NR-01: gestão do trabalho, saúde mental e responsabilidade do empregador”, que reuniu a doutora em Psicologia Andresa Darosci Silva Ribeiro e o juiz do TRT-SC Oscar Krost.

A psicóloga explicou que os riscos psicossociais estão relacionados a fatores da organização e das condições de trabalho que podem afetar a saúde e o bem-estar dos trabalhadores. De acordo com ela, a gestão desses riscos exige atenção ao ambiente laboral, com medidas voltadas à segurança psicológica e à adoção de atitudes práticas pelas organizações.

Krost, por sua vez, ressaltou a importância de um olhar interdisciplinar para compreender os riscos psicossociais e suas consequências. Ele destacou também que, embora esses riscos sempre tenham existido, sua previsão expressa na norma amplia a necessidade de uma interpretação sistêmica, capaz de considerar tanto as condições de trabalho quanto a natureza do sofrimento relacionado a elas. O painel foi mediado pelo desembargador do TRT-SC Cesar Luiz Pasold Júnior.

  

URL do vídeo

 

Leia também:

 

Carlos Nogueira
Secretaria de Comunicação Social do TRT-SC
Divisão de Redação, Criação e Assessoria de Imprensa 
(48) 3216-4000 - secom@trt12.jus.br

Notícia com 115 visualizações

Leia Também: