Wesley Vaz destacou que o uso de ferramentas tecnológicas só se transforma em resultados para as organizações quando há conexão entre seres humanos
Se a inteligência artificial consegue realizar cada vez mais tarefas, o que sobra para as pessoas fazerem? Para Wesley Vaz Silva, secretário de Controle Externo de Governança, Inovação e Transformação Digital do Tribunal de Contas da União (TCU), a resposta está na capacidade humana de criar, se conectar e resolver problemas que não têm soluções prontas.
A reflexão marcou a palestra “Os 7 princípios da liderança pragmática criativa: o fundamento da governança de IA”, realizada na quarta-feira (14/10), no Tribunal Regional do Trabalho da 12ª Região (TRT-SC), durante o lançamento do Programa Permanente de Desenvolvimento de Competências em Inteligência Artificial e Estímulo à Inovação, voltado ao público interno do tribunal. A iniciativa é conduzida pela Escola Judicial (Ejud-12) em parceria com o Laboratório de Inovação (LabInova).
Paradoxo da produtividade
De acordo com Vaz, que também é autor de livros e professor da Fundação Dom Cabral, um dos principais desafios das organizações com o uso da IA está no chamado “paradoxo da produtividade”.
Ele explicou que, embora estudos indiquem que a tecnologia pode tornar uma pessoa até dez vezes mais produtiva em determinadas tarefas, isso não significa necessariamente que a instituição passe a entregar mais ou melhor para a sociedade. Para resolver esse paradoxo, segundo Vaz, é preciso definir quais problemas realmente importam para a instituição e como cada profissional pode contribuir para resolvê-los.
É nesse ponto que a conexão entre as pessoas ganha importância. Isso porque, para chegar ao melhor resultado, é preciso que os integrantes da instituição compartilhem conhecimentos, experiências e perspectivas entre si.
“As pessoas que entendem de pessoas sempre vencem. Ponto”, afirmou o palestrante, destacando o papel dos líderes na condução desse processo dentro das organizações.
Sete princípios da liderança
Para transformar o potencial da inteligência artificial em resultados, Vaz também apresentou sete princípios de liderança que valorizam a autonomia, a transparência, a capacidade de adaptação e o desenvolvimento das pessoas.
Entre as orientações, estão definir objetivos claros, dar autonomia às equipes, acompanhar resultados em ciclos mais curtos, buscar referências fora da própria organização e criar um ambiente em que o erro seja encarado como parte do aprendizado.
O palestrante ainda destacou a importância de compreender as diferentes habilidades e motivações de cada profissional. Para ele, liderar não é tratar todos da mesma forma, mas entender as pessoas e criar condições para que contribuam com o trabalho coletivo. “Não é usar mais IA que nos tornará mais valiosos, mas a diversidade e a combinação de cérebros”, concluiu.
Aprendizagem contínua e inovação responsável
O evento reuniu cerca de 100 pessoas presencialmente e outras 270 on-line, marcando o lançamento do Programa Permanente de Capacitação em Inteligência Artificial do TRT-SC.
Na abertura, a diretora da Escola Judicial, desembargadora Mirna Uliano Bertoldi, destacou que a proposta vai além de ensinar a utilizar ferramentas. Isso porque, diante das mudanças tecnológicas, é preciso desenvolver a capacidade de aprender continuamente, formular perguntas, avaliar respostas e reconhecer riscos.
Na sequência, em mensagem em vídeo, a desembargadora Mari Eleda Migliorini, coordenadora do Comitê de Governança Regional da Inovação do TRT-SC, destacou que o avanço tecnológico exige responsabilidade e preparo. “Quanto mais amplas forem as possibilidades oferecidas pela inteligência artificial, maior deve ser o nosso compromisso com a ética, a segurança, a proteção de dados, a avaliação crítica dos resultados e, sobretudo, com a responsabilidade humana”, afirmou.
Mari Eleda também explicou que o Programa busca preparar magistrados e servidores para reconhecer os limites da tecnologia e avaliar quando seu uso não é adequado. “Portanto, não se trata apenas de aprender a usar inteligência artificial. Trata-se de desenvolver discernimento para saber como, quando e para que utilizá-la, sempre em respeito à missão do Poder Judiciário”, ressaltou.
A iniciativa responde a demandas identificadas pelo diagnóstico Conexão Estratégica, que apontou a necessidade de simplificar processos, ampliar a automação e capacitar profissionais para o uso responsável da IA.
Carlos Nogueira
Secretaria de Comunicação Social do TRT-SC
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