Minicurso ministrado pelos juízes Danielle Bertachini (TRT-SC) e Jorge Araújo (TRT-RS) abordou ferramentas disponíveis, riscos e aplicações das novas tecnologias
O terceiro e último dia do 1º Módulo de Formação Continuada da Escola Judicial do TRT-SC (Ejud-12), realizado nesta sexta-feira (10/4), na Sala de Sessões do Tribunal Pleno, em Florianópolis, foi dedicado ao minicurso “Inteligência artificial aplicada à prática judicial trabalhista: ferramentas, ética e perspectivas”.
A atividade foi conduzida pela juíza do trabalho Danielle Bertachini, da 7ª Vara do Trabalho de Florianópolis, mestre em Direito Social pela Université Lumière (França) e pelo juiz Jorge Alberto Araújo, titular da 5ª Vara do Trabalho de Porto Alegre (TRT-RS), mestre em Teoria da Argumentação Jurídica pela Universidade de Alicante (Espanha). O desembargador do TRT-SC José Ernesto Manzi mediou a atividade.
Evolução da IA
A exposição iniciou com uma contextualização sobre a evolução da inteligência artificial. Araújo apresentou dados sobre a velocidade de adoção da tecnologia, comparando-a com outros meios: enquanto o rádio levou 38 anos para atingir 50 milhões de usuários e a internet, quatro anos, ferramentas de IA alcançaram esse patamar em cerca de um mês. Segundo ele, atualmente, plataformas como o ChatGPT registram centenas de milhões de usuários semanais e bilhões de interações diárias.
Ao tratar do impacto dessa transformação, o ministrante afirmou que a tecnologia já integra a rotina profissional de magistradas e magistrados e tende a se expandir. “A inteligência artificial é uma realidade, e ajuda muito mais do que atrapalha”, disse. Ele também destacou que a adoção da ferramenta já é indispensável: “Quem não se adaptar fica para trás”.
Humano insubstituível
Na análise do magistrado, apesar do avanço, a tecnologia não substitui a atuação humana e deve ser utilizada com avaliação crítica, especialmente quanto ao tipo de tarefa delegada. “As ferramentas não vão ficar lá se ‘prompteando’ sozinhas”, afirmou, ao defender que seu uso deve ocorrer como apoio à decisão.
Ele também alertou que há riscos concretos que variam conforme a aplicação, como, por exemplo, a possibilidade de a IA apresentar informações imprecisas ou incompletas; além da tendência de formular respostas apenas para “bajular o usuário”.
“Para cada situação eu tenho que analisar o modo que eu estou usando e qual o risco envolvido”, explicou. Ao dar um caminho para quem é iniciante no uso da tecnologia, sugeriu uma abordagem gradual, começando por ferramentas mais simples e avançando conforme a familiaridade. “Experimente errar, não tenha medo, a ferramenta não vai julgar você”, recomendou.
Abordagem prática
Na sequência, Bertachini apresentou uma abordagem prática, voltada ao uso cotidiano das ferramentas. A magistrada destacou a necessidade de estudo contínuo e indicou cursos sobre o tema disponíveis no Centro de Educação Corporativa do Conselho Superior da Justiça do Trabalho (CSJT). “Não dá para querer aprender tudo em pouco tempo. A gente tem que estudar, testar e usar”, afirmou.
Durante a exposição, ela demonstrou ainda funcionalidades do ChatJT, uma ferramenta criada e oferecida pela própria Justiça do Trabalho, como a criação e personalização de assistentes para tarefas específicas, incluindo análise de processos, organização de informações e apoio em audiências.
Ao final, reforçou que, diante de tantas possibilidades existentes, a escolha da tecnologia mais adequada deve considerar a familiaridade do usuário. “Se gostou de uma ferramenta e está funcionando, fica com ela”, concluiu.
Pilar da gestão
A presidente do TRT-SC, desembargadora Teresa Cotosky, encerrou o evento da Ejud-12 destacando a importância do tema abordado para a gestão do Tribunal. “As novas tecnologias constituem um dos pilares da atual Administração. Em âmbito institucional, utilizaremos tudo o que for possível”, afirmou, ressaltando que é o assunto que merece aprofundamento.
Carlos Nogueira
Secretaria de Comunicação Social do TRT-SC
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