Cerca de 40 juízes e juízas vão trabalhar em sistema de cooperação para agilizar julgamentos de 6 mil processos com pautas de instrução longas
O Núcleo de Justiça 4.0 de Cooperação Judiciária de Primeiro Grau realizou nesta terça-feira (11/8) sua primeira pauta de audiências, todas pela modalidade telepresencial e originários da Vara do Trabalho de Itapema. Foram ao todo seis audiências de instrução, com quatro acordos e duas sentenças publicadas ainda na terça.
Conduzidas pelos juízes Roberto Masami Nakajo e Ozéas de Castro, as audiências ocorreram numa data especial: a da criação das duas primeiras faculdades de Direito no Brasil, em 1827 (a do Largo de São Francisco, em São Paulo, e a de Olinda, em Pernambuco). O fato foi consignado em ata por Roberto Nakajo.
Acelerador
Criado pela Resolução Administrativa 26/2026, do Tribunal Pleno, o Núcleo tem como objetivo principal ser uma espécie de acelerador do Sistema de Equalização. Em vigor desde o início de julho, a distribuição por equalização faz um ajuste de carga processual semanal entre as varas, pressupondo que todas as unidades partam de um “marco zero” de processos.
Embora ela tenda a corrigir distorções no médio e longo prazo, a equalização desconsidera o volume de ações trabalhistas recebidas até sua entrada em vigor. É justamente neste legado que o Núcleo 4.0 pretende atuar, antecipando audiências de instrução de varas sobrecarregadas como por exemplo a VT de Itapema, que somente no ano passado recebeu 3.289 ações, recorde entre as 60 unidades. Diante dessa avalanche processual, as pautas de instrução da unidade estão com agendamento para 2028.
Pautas semanais
Ao todo, uma média de 40 juízes e juízas vão trabalhar semanalmente no Núcleo 4.0 por meio de cooperação judiciária, ou seja, atuando simultaneamente nos processos de suas próprias unidades. Além deles, a estrutura conta com sete servidores conciliadores oriundos de oito Centros de Conciliação que foram unificados recentemente.
Para o coordenador da unidade, juiz João Carlos Scalco, a recepção dos magistrados e magistradas ao trabalho da nova estrutura está sendo muito boa. “Os processos nos quais iremos atuar são de varas muito sobrecarregadas, e o Núcleo tem uma capacidade de trabalho muito robusta, equivalente a seis ou sete varas do trabalho. Embora esteja ainda muito no início, tudo está fluindo muito bem, e os problemas que aparecem estão sendo todos resolvidos”, avalia o magistrado, otimista.
Neste primeiro momento, foram selecionados 1.490 processos de sete jurisdições (Joinville, Itapema, Navegantes, Xanxerê, Palhoça, São Miguel do Oeste e Concórdia), com previsão de solução de três a quatro meses. A próxima pauta está agendada para 31 de agosto, com a instrução de 450 processos.
A expectativa é que, no período de um ano, haja um incremento de cerca de 6 mil processos conciliados ou julgados, o que equivale a 7% dos processos solucionados em 2025. Ao longo do tempo, outras unidades serão contempladas.
Clayton Wosgrau
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